Iniciação Científica: algumas dicas

Como escolher um orientador? Normalmente, os estudantes procuram por professores que conhecem, com quem já tiveram aulas. Às vezes, porém, um bom professor pode não ter tempo para orientar estudantes porque já está orientando vários projetos e, então, não tem como dar a atenção necessária aos iniciantes. Alguns professores, mesmo lotados de estudantes, simplesmente não conseguem dizer não e acabam se sobrecarregando de estudantes para orientar. Eu mesmo já fiz isso e me dei muito mal. Estou correndo atrás do prejuízo até hoje e ainda vai levar tempo para me recuperar do “crash”. Assim, um primeiro ponto a ser observado é se o orientador vai ter tempo e energia para orientar adequadamente um estudante novo, iniciante. Uma boa dica é conversar, não apenas com o professor, mas também com estudantes sendo orientados pelo professor. A iniciação científica é importante para introduzir os estudantes ao âmbito da pesquisa científica, o que vai ajudar muito na pós-graduação. A pós-graduação um dia chega. Talvez alguns de nós acabem por escolher não fazer a pós; talvez alguns de nós nem queiram realmente graduar-se. Mas, para muitos de nós, a pós-graduação chegará. Para mim chegou e fiquei um pouco transtornado na época, pois eu realmente gostava da graduação! Por mais difíceis que algumas coisas foram, outras foram tão boas! Eu fiz duas pós: aqui e nos EUA. Confesso que minhas memórias de graduação são mais intensas do que as que tenho das mais recentes pós-graduações. É na graduação que nos formamos. A pós-graduação é apenas uma consequência inevitável da graduação (ou evitável, para alguns de nós). No entanto, a vida deve fluir para a frente e não podemos ficar presos ao passado. Aproveitem a graduação: principalmente vocês, graduandos do século XXI!

Tanto a iniciação científica como a pós-graduação são coisas que devemos escolher com certos cuidados. A escolha do orientador e da área deve ser analisada minuciosamente para minimizar os danos colaterais. É, há danos colaterais. Não são irreversíveis, mas sempre há danos. Não se assustem! Em tudo na vida há danos colaterais, mas é nossa capacidade de regeneração que conta. Eu escolheria o orientador, primeiro, vendo o currículo Lattes dele: basta procurá-lo na página da instituição em que trabalha. Depois, estrategicamente, eu observaria e investigaria seus orientandos. Pagaria um almoço para um dos orientandos e tentaria descobrir prós e contras. Analisaria a rotina dos orientandos. Se eles tivessem expressões faciais indicativas de extrema felicidade, desconfiaria; se fossem de extrema agonia, investigaria com mais afinco.
Há orientadores e orientadores: experientes, inexperientes, autoritários, bonzinhos, bobos, inteligentes, safados, etc. Há orientadores que exigem a presença constante do orientando no lab ou na sala. Há orientadores que simplesmente não se importam, desde que o orientando faça o que deve fazer e pergunte quando tenha dúvida. Enfim, devemos sempre procurar conhecer onde queremos chegar e que tipo de pessoa irá nos orientar na jornada.
A escolha da área é também importante. Áreas modernas, em que há grande barulho, com artigos e artigos saindo todo dia em todas as revistas, são áreas que, algumas vezes, depois de alguns anos desaparecem ou mudam completamente. Já há áreas estabelecidas, com pouca badalação, mas que sempre estarão produzindo resultados regularmente. Para um doutoramento ou mesmo mestrado, eu recomendo uma área com certa estabilidade, para dar tempo de fazer a pós e ainda poder trabalhar na área por mais uns anos.
Boa sorte!

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2 Comments for Iniciação Científica: algumas dicas

  1. Fabiano said,

    agosto 19, 2010 @ 19:31

    Muito grato pelos suas dicas , e digo-lhe que muito me ajudaram.
    A iniciação cientifica é o proximo passo da nossa busca como sonhadores de um dia ser um docente de uma boa universidade: antes dissso temos o vestibular, que, após o ingresso na faculadade, passa a ser apenas mais um dos obstaculos ultrapassados.
    E como a vida, para a grande maioria das pessoas, é uma superação de obstáculos , este não parece ser apenas mais um qualquer, pois o grande mosntro vestibular, como já disse foi deixado para trás,mas este é a grande INICIAÇÃO CIENTIFÍCA…..
    Antes de entrar na faculadade não possuia se quer o cohecimento de que havia iniciações científicas, e fiquei maravilhado quando, na primeira palestra que tivemos , falaram-me dessa possibilidade.Porêm, após isto, o assunto foi tratado com pouca frequência e quase nada nos foi dito de como buscar uma iniciação e quando deveriamos fazê-la.
    Fico muito grato pelo seu post e estou impressinado com o seu trabalho.

  2. reginaldo said,

    agosto 19, 2010 @ 21:25

    Olá Fabiano,
    Grato deveras pelo seu comentário. A iniciação científica é onde você começa a experimentar a vida como pesquisador, como o desbravador do nosso mundo físico. No entanto, o mais importante de tudo é ter um guia adequado. Procure por um orientador com quem simpatize e que também tenha as características compatíveis com sua índole e predisposições de caráter. Há sempre um orientador para cada tipo de estudante iniciante. A área também é importante, mas lembre-se que nem sempre acertamos o primeiro tiro; permita-se errar várias vezes antes de encontrar seu ideal.

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